Apostila de Cartografia

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Aula 1: Representações cartográficas e Geografia: mapear é preciso!

A Cartografia é a ciência voltada para a representação da superfície terrestre de forma gráfica e generalizada. Para construirmos os mapas ou outras representações, devemos simplificar a realidade, para que então possamos alcançar os objetivos desejados pelo mapeamento. Sendo assim, podemos dizer que esta ciência disponibiliza uma série de importantes ferramentas para a Geografia, que se ocupa em explicar da melhor maneira possível os eventos, fenômenos e processos que atuam sobre a superfície terrestre.

Dos tempos remotos aos dias atuais, torna-se claro que importantes mudanças ocorreram não só nas técnicas de elaboração de representações da superfície terrestre, como também na motivação existente em construir tais representações. Praticamente, todos os grandes avanços da Cartografia (desde as pinturas nas cavernas aos dias atuais) estiveram associados à importantes eventos históricos, sendo possível afirmar que a evolução das técnicas de mapeamento está associada às demandas, exigidas pela sociedade.A Cartografia ainda apresenta um grande potencial, como uma disciplina integradora. A possibilidade de trabalharmos o conteúdo de várias disciplinas, utilizando representações gráficas da superfície terrestre confere-lhe esse caráter integrador. Para as atividades, voltadas para o ensino de Geografia, esta multiplicidade de usos é muito bem-vinda. Sendo assim, é seguro afirmar que a Cartografia pode facilitar a realização de atividades interdisciplinares, integrando diferentes disciplinas do Ensino Médio e Fundamental.

Aula 2: A comunicação cartográfica

Os mapas são representações planas de toda superfície terrestre ou de parte desta superfície. Os mapas mais comuns são aqueles que representam grandes áreas da superfície terrestre, em escalas cartográficas pequenas, que têm suas áreas limitadas por acidentes naturais ou limites político-administrativos. Já as cartas são geralmente utilizadas para fins específicos, tendo como objetivo a representação de áreas, a partir da sistematização de folhas articuladas, que normalmente estão em grandes e médias escalas.

Em razão dos objetivos a que se destinam, os mapas e as cartas podem ser:

1. Mapas Gerais;

2. Mapas ou Cartas Especiais;

3. Cartas ou Mapas Temáticos;

4. Mapas ou Cartas Imagem.

Os Mapas Gerais são elaborados para atender a grandes grupos de usuários, não possuindo com isso finalidades específicas. Já os Mapas ou Cartas Especiais são construídos para utilização de usuários que possuam objetivos específicos, apresentando riqueza de detalhes nas informações e considerável nível de precisão em suas representações.vPor outro lado, as Cartas ou Mapas Temáticos representam fenômenos, processos, objetos ou feições presentes na superfície terrestre de forma qualitativa e/ou quantitativa. E, por fim, os Mapas ou Cartas Imagem utilizam imagens de satélite como base para representação de outras informações cartográficas e assim podem atender a objetivos diversos, como, por exemplo, correlacionar informações contidas em mapas ou cartas com informações existentes na imagem, facilitando a identificação de processos, objetos ou fenômenos espaciais.

Aula 3: A verdadeira forma da Terra

A determinação da forma da Terra é de fundamental importância para os estudos relacionados à representação da superfície do nosso planeta. As tentativas de calcular sua dimensão e circunferência remontam à Grécia antiga, e seguem sendo alvo de estudos e pesquisas até os dias de hoje. O planeta Terra, que já foi concebido como esférico, plano e elipsoidal, hoje tem a sua forma definida pelo geoide. O geoide pode ser definido pelo prolongamento do nível médio e inalterado dos mares, e é considerado ainda a origem das medidas altimétricas, ou seja, todas as medidas de altitude da superfície topográfica são calculadas, tendo o geoide como referência. No entanto, o referencial de planimetria, ou seja, o que define a origem e orientação do sistema de coordenadas, não pode fazer uso do geoide como representação da forma da Terra, uma vez que o mesmo apresenta-se de forma irregular. Por isso, para os cálculos planimétricos, a Cartografia adotou o elipsoide, que é, portanto, a superfície de referência utilizada nos cálculos planimétricos. Em praticamente todo planeta, existirão diferenças, ainda que mínimas, entre a superfície do geoide e a superfície do elipsoide. As diferenças são usualmente chamadas de ondulações geoidais, alturas geoidais ou separações geoidais. Seu valor máximo chega a aproximadamente 100 m acima ou abaixo dos elipsoides de referência. Diferentes institutos científicos e cartográficos do mundo e instituições afins realizam muitos estudos para a determinação do melhor elipsoide para representação dos territórios de seus países. Estes estudos definem o Sistema Geodésico de Referência, composto por uma rede de pontos de altimetria, gravimetria e planimetria. O Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) tem como referencial de altimetria o marco zero do marégrafo de Imbituba, localizado no estado de Santa Catarina. Este ponto é chamado também de Datum Vertical (origem das altitudes). O referencial planimétrico oficial brasileiro é dado pelo Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas (SIRGAS 2000), que foi adotado depois de ter sido amplamente discutido no meio cartográfico latino-americano.

Aula 4: As projeções cartográficas

Uma das grandes dificuldades encontradas para a representação cartográfica está relacionada com a forma da Terra. Por possuir uma superfície esférica, irregular e tridimensional, e sendo um mapa uma representação plana, não há possibilidade de se mapear a superfície do planeta sem causar deformações em suas representações. Para a resolução deste problema, são adotadas as projeções cartográficas. No entanto, a utilização das projeções não resolve todo o problema, uma vez que todas as representações de superfícies curvas em um plano envolvem "extensões" ou "contrações" que resultam em distorções ou "rasgos". Por isso, podemos dizer que um sistema de projeção irá conservar uma propriedade ou um aspecto da superfície mapeada (ex.: formas, distâncias, ângulos) e abrir mão de outras. A construção de um sistema de projeção será escolhida de maneira que a representação venha a possuir propriedades que satisfaçam as finalidades impostas pela sua utilização.

As projeções podem ser classificadas, principalmente, segundo:

1. o tipo de superfície de projeção (planas, cônicas, cilíndricas, polissuperficiais);

2. a posição da superfície de projeção (normais, oblíquas, transversas, polares, equatoriais etc.);

3. as deformações apresentadas (conformes, equivalentes, equidistantes, azimutais e afiláticas);

4. a localização do ponto de vista (gnômica, estereográfica, ortográfica);

5. a situação da superfície de projeção (secantes ou tangentes).

É importante sabermos que um mapa, ao ser construído, passou por processos que alteraram a forma, as áreas, as distâncias ou outros aspectos de todos os países ou outros recortes espaciais nele representados. Devemos sempre lembrar que a adoção de uma projeção é um processo de escolha que vai privilegiar algumas informações em detrimento de outras.

Aula 5: Da batalha naval aos mapas dos piratas: aprendendo sobre os sistemas de coordenadas

A localização de qualquer elemento presente na superfície terrestre pode ser dada a partir de um ponto, que pode ser definido a partir do cruzamento de duas linhas. Por isso, foi criado o sistema de coordenadas geográficas, que é definido a partir de uma rede geográfica de linhas imaginárias. As linhas verticais desta rede são os meridianos, que vão de um polo a outro, e servem para medir a longitude (direção leste-oeste). Já as linhas horizontais chamam-se paralelos, pois são paralelas à linha do equador, e servem para medir a latitude (direção norte-sul). A latitude (φ) de um ponto representa a localização do mesmo em relação à linha do equador, que tem o valor de latitude 0. Quanto mais próximo dos polos, maior o valor de latitude. Significa dizer que os valores de latitude se modificam no sentido norte-sul.  A longitude de um ponto representa a localização do mesmo em relação ao meridiano de Greenwich, que tem o valor de longitude 0. Quanto mais distante do meridiano de Greenwich, no sentido leste-oeste, maiores serão os valores de longitude. Os fusos horários podem ser definidos como zonas delimitadas por dois meridianos consecutivos da superfície terrestre, cuja hora legal de toda superfície contida dentro destes meridianos, por convenção, é a mesma. Significa dizer que todas as cidades e demais localidades, pertencentes a um mesmo fuso, terão a mesma hora legal. A partir então do meridiano de Greenwich, no sentido leste, a cada fuso adianta-se uma hora, e no sentido oeste, atrasa-se uma hora. Por exemplo: quando em Los Angeles, nos EUA, for 14 horas, em Bagdá, no Iraque (cidade localizada a onze fusos de diferença), será 1 hora.

Aula 6:O sistema de coordenadas UTM

O sistema UTM adota coordenadas métricas, fazendo uso de uma projeção do tipo cilíndrica, transversal e secante ao globo terrestre para a construção de sessenta fusos de seis graus (6°) de longitude cada. Cada um destes sessenta fusos é, portanto, delimitado por duas linhas secantes e dividido por um meridiano central. Cada um dos fusos funciona como um sistema próprio, como se cada um dos diferentes sessenta fusos fosse convertido em um sistema plano independente. A origem das coordenadas do sistema plano de cada fuso UTM é representada pela linha do equador e pelo meridiano central. Ou seja, as coordenadas Norte-Sul, ou simplesmente as coordenadas N, têm como origem a linha do equador, e as coordenadas Leste-Oeste, ou simplesmente coordenadas E, têm como origem o meridiano central (MC). Os valores de coordenadas na origem são de 500.000 mE (Leste-Oeste) e 10.000.000 mN (Norte-Sul). Quando nos posicionamos exatamente sobre o meridiano central de um fuso, nossa coordenada Leste-Oeste corresponde a 500.000 mE. Quando estamos sobre a linha do equador, nossa coordenada Norte-Sul equivale a 10.000.000 mN. A CIM faz uso da projeção cônica conforme de Lambert até as latitudes de 80°S e 84°N. Mas a sua articulação está diretamente relacionada aos fusos do sistema UTM, já que suas folhas são limitadas no sentido Leste-Oeste pelos fusos UTM que possuem 6° de amplitude. No sentido Norte-Sul, as folhas da CIM têm amplitude de 4°. Os fusos da CIM possuem a mesma numeração do sistema UTM, ou seja, são numerados de 1 a 60, a partir do antimeridiano de Greenwich, no sentido Oeste-Leste. A nomenclatura das folhas CIM obedece a uma codificação sistematizada na qual a primeira letra sempre representa o hemisfério da qual a folha está inserida, ou seja: se receber a letra N, significa que está inserida no hemisfério Norte; se receber a letra S, significa ser pertencente ao hemisfério Sul. A segunda letra diz respeito à zona (faixa latitudinal) em que esta folha está inserida. A zona A, por exemplo, está inserida entre a linha do equador e o paralelo de 4° (0° - 4°), a zona B está inserida entre o paralelo de 4° e o paralelo de 8° (4° - 8°), a zona C entre 8° e 12°, e daí em diante. A última informação diz respeito ao fuso em que a folha está inserida.

Aula 7: Escala e orientação cartográfica

A escala cartográfica é dada pela razão entre uma medida efetuada sobre o mapa e sua medida plana na superfície terrestre. Significa, portanto, que as medidas de comprimento e de área efetuadas no mapa terão representatividade direta sobre seus valores reais no terreno. A escala cartográfica pode aparecer de duas maneiras distintas em um mapa, podendo ser representada graficamente (escala gráfica) ou por números fracionados (escala numérica). A escala gráfica assemelha-se a uma régua, onde as unidades deixam de ser em centímetros, passando a ser em metros ou em quilômetros (ou unidade equivalente). Esta régua pode apresentar subdivisões detalhadas ou não, dependendo do grau de definição (ou resolução) que o mapa oferece. Já as escalas numéricas são apresentadas a partir de números fracionários que representam uma razão. Sendo assim, se a escala de um mapa for de 1:50.000, significa dizer que todos os elementos foram reduzidos 50.000 vezes para serem representados planimetricamente no mapa.

A escala de um mapa pode ser determinada a partir da seguinte fórmula:

E = d/D onde:

E = Escala do mapa

d = Distância medida no mapa

D = Distância plana real

Nos mapas, a orientação pode ser feita a partir da rosa dos ventos, que traz informações sobre os pontos cardeais (N, S, L e O), os pontos colaterais (NE, NO, SE, e SO) e também dos pontos subcolaterais (ENE, NNE, ESE, SSE, SSW, WSW, WNW, NNW). Este sistema permite ainda orientação a partir de azimutes e rumos. O azimute de uma linha é o ângulo que essa linha faz com o alinhamento norte-sul, tendo variação entre 0° e 360°. Já o rumo de um alinhamento é conhecido como o menor ângulo formado entre a linha norte-sul e um alinhamento qualquer. Sua variação se dá entre 0° e 90°, devendo ser indicado o quadrante correspondente: NE, SE, SW ou NW, isto é, primeiro, segundo, terceiro ou quarto quadrante, respectivamente.

Aula 8: Mapas de base e cartas topográficas: representações gráficas da superfície terrestre

Podemos afirmar que as cartas topográficas se configuram como as representações cartográficas de base mais utilizadas pela Geografia. Isto acontece porque as cartas topográficas representam, de forma sistemática e obedecendo a uma determinada escala de redução, os elementos naturais e artificiais presentes na superfície terrestre, permitindo a leitura de suas posições planimétricas e altimétricas. Quando mencionamos o termo “planimetria”, estamos nos referindo à representação de elementos da realidade terrestre em um plano, sem considerarmos as variações que ocorrem por conta do relevo. Desta maneira, podemos afirmar que, nas cartas topográficas, a planimetria é representada por elementos naturais e artificiais (físicos e culturais) correspondentes, principalmente, aos aspectos hidrográficos, à cobertura vegetal e aos fatores decorrentes da ocupação humana. A altimetria fundamenta-se na representação das formas de

relevo, podendo ser representada, principalmente, a partir de 3 maneiras:

1. uso de hachuras ou relevo sombreado;

2. uso de cores hipsométricas;

3. uso de curvas de nível e pontos cotados.

As curvas de nível são linhas imaginárias, construídas sobre o terreno, que possuem as seguintes características:

• todos os pontos situados sobre uma curva de nível possuem a mesma altitude;

• duas curvas de nível não podem cruzar e nem mesmo se tocar;

• uma curva de nível sempre tem um fim, seja fechando-se em si mesma ou extrapolando os limites de uma carta ou mapa;

• uma curva de nível não pode se separar (bifurcar-se);

• nos terrenos planos, as curvas de nível são mais espaçadas, pois as variações de altitude são mais suaves;

• nos terrenos acidentados, as curvas de nível encontram-se mais próximas umas das outras, já que as variações de altitude são mais abruptas.

Aula 9: Cartografia temática e mapas temáticos

A cartografia temática é o ramo do conhecimento que se preocupa com a correta representação gráfica dos mais variados temas, o que requer uma visão crítica dos dados a serem mapeados, bem como a correta utilização dos símbolos ou convenções que serão utilizados para representá-los. A cartografia temática tem como objetivo principal o desenvolvimento de metodologias voltadas para a construção de mapas temáticos, estando envolvida com as técnicas de aquisição dos dados, com o processamento dos dados e com a representação final das informações obtidas. Os mapas temáticos podem ser classificados de muitas formas, que podem estar de acordo, por exemplo, com aspectos ligados aos

objetivos de sua criação, com os dados utilizados em sua construção, ou com as metodologias aplicadas para a representação de suas informações. Quanto à natureza do dado, os mapas temáticos podem ser classificados, como: qualitativos, ordenados ou quantitativos. Os mapas qualitativos classificam nominalmente, por algum critério, um objeto ou recorte espacial qualquer. Os mapas ordenados são caracterizados por estabelecerem classificações hierárquicas entre objetos ou recortes espaciais representados. Por fim, os mapas quantitativos, ao contrário dos nominais e ordenados, quantificam algo ou alguma coisa que ocorre na superfície terrestre. Quanto aos seus objetivos, os mapas temáticos podem ser classificados como: de inventário, análise ou síntese. Os mapas de inventário são na maioria das vezes qualitativos, simples e de fácil interpretação. Os mapas analíticos quantificam ou hierarquizam os aspectos que vão representar, podendo ter uma legenda ordenada, intervalar ou apresentada por razões. Já os mapas síntese representam uma integração de fenômenos, feições, fatos ou acontecimentos que se interligam através da distribuição espacial.

Aula 10: Mapas temáticos qualitativos e ordenados

A simbologia nos mapas temáticos qualitativos será construída por diferentes tipos de pontos, linhas e polígonos, que juntos devem dar conta de diferenciar objetos, fenômenos, processos e eventos que existem ou ocorrem na superfície terrestre. Os símbolos de pontos são adotados para representar um lugar ou dados de posição, tais como: uma cidade, uma cota, o centro de uma distribuição etc. Estes símbolos podem ser apresentados como: pictóricos, geométricos e associativos. Nos símbolos pictóricos, os elementos estão associados à forma do objeto ou fenômeno mapeado, ou seja, quando olhamos para um símbolo pictórico, associamos a sua forma diretamente ao elemento que está sendo representado. Os símbolos geométricos não têm associação de forma com o fenômeno, sendo as formas mais comuns utilizadas os círculos, triângulos, retângulos, estrelas etc. Por fim, os símbolos associativos empregam uma combinação dos geométricos e pictóricos na construção de símbolos facilmente identificáveis. Os símbolos lineares são utilizados para representar elementos que se apresentam como fluxos, ou ainda como contornos, tais como: cursos d’água, rodovias, limites etc. As linhas podem diferenciar qualitativamente alguns elementos, a partir da espessura, cor, brilho, continuidade, fechamento e complexidade. Já os polígonos, também conhecidos como símbolos zonais, de área ou planares, são utilizados para caracterizar a ocorrência de um atributo comum em determinados recortes espaciais, como por exemplo: água, jurisdição administrativa, tipo de solo, vegetação etc. Estes podem se diferenciar através das cores, dos contornos ou até mesmo de hachuras. Assim como nos mapas temáticos qualitativos, os mapas ordenados também fazem uso de pontos, linhas e polígonos para construir os símbolos responsáveis pela concepção de hierarquização na representação. Na representação ordenada, geralmente, adotamos símbolos de mesmo tamanho, que podem ou não possuir cores diferentes. No entanto, na grande maioria das vezes, obtemos mais êxito em passarmos a concepção de ordem quando adotamos símbolos de pontos com preenchimentos (ou marcas) diferentes. Para as manifestações lineares, geralmente são utilizadas as cores, variações de tons, espessuras e até mesmo o valor do traço, para indicar uma ordem ou hierarquia. Em se tratando de uso de polígonos para representação de áreas, é comum utilizarmos cores ou variações de tons de cores e ainda hachuras com diferentes espaçamentos para a representação de zonas (áreas) de distintos níveis hierárquicos para uma variável qualquer.

Aula 11: Mapas temáticos quantitativos

Os mapas temáticos quantitativos têm como objetivo principal a representação da intensidade de ocorrência de uma variável qualquer, estabelecendo com isso uma relação de proporcionalidade entre as unidades mapeadas. Estas variáveis podem ser representadas de maneira direta, ou seja, sem tratamento algum (quantidades absolutas) ou podem sofrer tratamentos matemáticos e estatísticos, para serem representadas (quantidades calculadas ou derivadas). Os mapas por quantidades absolutas não necessitam de um maior tratamento das informações para serem representados (ex.: potencial hidrelétrico por estado, população absoluta dos países do mundo, número total de pessoas com acesso à internet etc.). Já os mapas por quantidades calculadas ou derivadas exigem tratamentos estatísticos e matemáticos, pois mostram os valores derivados através de cálculos (razões, taxas, etc.) de dados absolutos (ex.: consumo per capita, densidade demográfica, taxa de natalidade etc.). Quando a ocorrência mapeada está associada a um ponto, como em cidades, por exemplo, a forma mais comum de mapeamento dá-se a partir do uso de símbolos proporcionais. Neste tipo de representação, o tamanho dos símbolos está associado, ou relativizado, à intensidade da ocorrência ou fenômeno. Observe com atenção o mapa a seguir (mapa de população das capitais dos estados brasileiros). Nos mapeamentos quantitativos, as linhas são na grande maioria das vezes utilizadas para a representação das intensidades de fluxos. Neste tipo de situação, na maioria das vezes, adotamos linhas de espessuras diferentes para mostrar fluxos de intensidade diferentes, sendo também comum em algumas situações a utilização de cores nesta distinção. Quando a representação está associada a polígonos, podemos adotar diferentes estratégias de representação. As mais comuns e abordadas nesta aula são os mapas coropléticos, a densidade de pontos e a simbolização por gráficos (charts). Os mapas coropléticos são utilizados quando mapeamos alguma variável a partir de unidades espaciais predefinidas, como por exemplo: países, regiões, estados etc. Neste tipo de mapeamento, utilizamos os intervalos de classe e variações de tons de cores para a representação destas classes. Geralmente, as cores e os tons mais suaves são aplicados para as áreas de menor ocorrência ou de estado menos crítico de alguma variável, e as cores mais fortes e os tons mais escuros são aplicados para as áreas de maior ocorrência ou de estado mais crítico. Outra forma muito comum de mapeamento temático quantitativo é a partir de densidade de pontos ou método dos pontos de contagem. Neste tipo de mapeamento, as informações também deverão estar associadas a uma unidade espacial qualquer, ou seja, as representações continuarão a ser elaboradas para os estados, municípios, distritos etc. As principais diferenças são que, nas representações por densidade de pontos, não faremos uso de intervalos de classe e tampouco de cores ou tons de cores para representar a grandeza que mapearemos. Já os mapas com uso de gráficos são muito úteis, por exemplo, para estabelecermos comparações ou outros tipos de relações entre duas ou mais variáveis.

Aula 12: Alfabetização cartográfica

Alfabetização cartográfica refere-se ao processo de domínio e aprendizagem de uma linguagem constituída de símbolos, de uma linguagem gráfica (cartográfica). No entanto, não basta a criança compreender o mundo simbólico dos mapas; é necessário criarmos condições para que o aluno seja leitor crítico de mapas ou um “mapeador” consciente. Significa, portanto, desenvolver na criança as habilidades necessárias à compreensão do conjunto de regras e simbologias utilizadas pela Cartografia, para que então, ela esteja preparada para ser “apresentada” aos primeiros mapas. Das dificuldades existentes na compreensão dos mapas por parte das crianças, podemos destacar a visão oblíqua x visão vertical, visão tridimensional x visão bidimensional, simbologia dos mapas, estruturação da legenda, proporção e escala, lateralidade, referências e orientação espacial. Podemos destacar, como exemplos voltados para a alfabetização cartográfica, as seguintes de atividades:

1. Mapa do corpo – lateralidade, referências, noções das dimensões do corpo e dos membros.

2. Relógio de sol – orientação, movimento aparente do sol e fusos horários.

3. Batalha Naval – localização, referências e sistemas de coordenadas.

4. Mapa da sala de aula – projeção, escala, generalização e visão vertical.

5. Maquetes – representação em 3D, visão vertical e proporcionalidade.

6. Caminho de casa para a escola – legenda, lateralidade, referências, visão vertical e proporcionalidade.

7. Construção de croquis – legenda, lateralidade, referências, visão vertical e proporcionalidade.

8. Das fotografias ao mapa – visão vertical, sistemas de orientação, generalização, simplificação, simbologias e estruturação de legendas.

Aula 13: Cartografia nos Ensinos Médio e Fundamental

O ensino de Geografia tem como um dos seus objetivos preparar os alunos para o exercício da cidadania, fazendo-os compreender a organização do espaço geográfico e analisar as relações existentes entre natureza e sociedade, que estão em constante transformação. Desta maneira, os mapas e outras representações cartográficas configuram-se como instrumentos importantes para tal exercício, auxiliando na apreensão e compreensão dos fenômenos que ocorrem nos diferentes recortes espaciais. Desta maneira, os mapas deverão ser utilizados como instrumentos para a investigação geográfica, para refletirmos sobre a organização do espaço, e não ser encarados como meras ilustrações. Os alunos devem interpretar os mapas e, a partir deles, devem reconhecer como se organiza o recorte espacial representado. Devemos, enquanto professores, conduzir para uma interpretação que vá além da simples visualização e fazer refletir, a partir dos mapas, sobre as relações existentes entre os objetos representados, identificar padrões de distribuição entre estes mesmos objetos e, finalmente, incentivar a construção de análises e questionamentos. Podemos dizer que os mapas podem ser úteis para o ensino de Geografia quando utilizados para estimular, por exemplo, os seguintes tipos de questionamentos:

1. Localização e situação: Onde ocorre o fenômeno?

2. Dimensão: Qual a abrangência do fenômeno?

3. Distribuição: Qual o padrão de distribuição do fenômeno?

4. Correlação: Existe relação deste fenômeno com outro

fenômeno qualquer?

5. Dependência espacial: A ocorrência do fenômeno depende

de algum fator ou aspecto espacial?

Aula 14: Cartografia, geotecnologias e novas tecnologias de informação e comunicação

A evolução científica vivida nas últimas décadas promoveu um uso maior das tecnologias de informação e comunicação (TIC) e ainda possibilitou o surgimento de outras novas (NTIC), garantindo-lhes um relevante papel na produção e propagação da informação, em meios cada vez mais eficazes e, muitas vezes, em altíssimas velocidades (tempo real). Além dos avanços recentes no campo da comunicação e informação, percebemos também, atualmente, mudanças significativas na própria Cartografia. Estas mudanças estão relacionadas, principalmente às inovações que emergem no campo das geotecnologias, que são as tecnologias envolvidas com a aquisição de dados espaciais, processamento e manipulação destes dados (geração da geoinformação), armazenamento e apresentação de informações espaciais. Os avanços sentidos na Cartografia, provenientes das inovações geotecnológicas, associadas ao grande conjunto de vantagens e possibilidades criadas com os avanços da informática, sobretudo aos da internet, criam opções para a representação da realidade que vão desde a observação multitemática (integrada), multiescalar e multitemporal proporcionada por sistemas de informação geográfica (SIG), até a visão tridimensional e em perspectivas oferecida pelos modelos digitais de elevação (MDE). Diante de muitas possibilidades, é interessante utilizarmos as NTIC e as geotecnologias em sala de aula, focando no desenvolvimento de atividades práticas que abram a possibilidade de abordagens multidisciplinares e que tornem mais simples a aprendizagem de temas considerados mais abstratos por parte do aluno. Isto se torna ainda mais justificável na medida em que vivemos em um mundo onde os alunos têm acesso a diversas informações em pouco tempo e desenvolvem atividades de maneira muito mais dinâmica e veloz. Desta maneira, fica difícil fazer com que esses estudantes se interessem por aulas expositivas, que não lhes promovam nenhuma interação. Sendo assim, o uso de mapas e outras representações disponíveis na internet podem contribuir com uma aula mais dinâmica e envolvente, além de estimular e orientar os alunos na busca por conhecimento, a partir do uso de fontes confiáveis. No entanto, é importante estarmos atentos a todas as informações que são disponibilizadas na internet. Devemos sempre questionar as fontes dos dados utilizados nos mapas, precisamos sempre verificar as projeções adotadas, compreender os objetivos, a clareza e o nível de complexidade da representação etc. Ou seja, deveremos fazer uso de todo conhecimento obtido nas aulas anteriores para selecionar na internet os melhores mapas para ensinar Geografia.

Aula 15: Cartografia tátil escolar

A cartografia tátil é uma área específica da Cartografia que tem por finalidade a discussão de metodologias, voltadas para a criação de mapas e outros produtos cartográficos, que possam ser utilizados por pessoas com deficiência visual. As representações cartográficas táteis podem ser utilizadas como recursos educativos, sendo então estudadas pela cartografia tátil escolar. Mas estes recursos são também empregados como facilitadores para o deslocamento em centros urbanos e em outros lugares (ex.: metrô, shopping centers etc.). Assim, configuram-se como fundamentais para a inclusão social, contribuindo na promoção da independência de mobilidade e na ampliação da capacidade intelectual de pessoas com deficiência visual. A deficiência visual pode ser subdividida de acordo com as limitações visuais e a acuidade visual apresentada. Nesta subdivisão, temos os cegos (ausência total de visão) e aqueles que possuem baixa visão ou visão subnormal (ainda possuem algum tipo de visão residual). Visão subnormal, ou baixa visão, acontece quando ocorre uma perda severa de visão que não pode ser corrigida por tratamento clínico ou cirúrgico e nem mesmo pelo uso dos óculos convencionais. A baixa visão também pode ser descrita como qualquer grau de enfraquecimento visual que cause incapacidade funcional e diminua o desempenho visual. A necessidade de ensinarmos diferentes conteúdos para alunos que possam apresentar estes tipos de deficiências faz com que a cartografia tátil deva ser amplamente difundida e aprendida pelos professores dos Ensinos Fundamental, Médio e Superior. Isto se torna ainda mais urgente no curso de Geografia, já que a cartografia tátil auxilia o aprendizado dos mais diferentes conteúdos geográficos por alunos com deficiência visual. A elaboração de mapas táteis deve ser cercada de cuidados, envolvendo por exemplo, a eficácia na transmissão da informação, que é dependente da complexidade das representações e da relação existente entre o "cartógrafo" e os usuários do mapa. Por isso, no caso dos mapas táteis, é necessário ter um cuidado especial com o volume de informações que serão representadas, sendo importante o estabelecimento de uma interação contínua entre o "cartógrafo" e os potenciais usuários do mapa, que neste caso são as pessoas com deficiência visual. São eles que saberão se o mapa está sendo eficiente para transmitir a informação. Para a representação tátil, as variáveis gráficas (táteis) mais eficientes são a textura, a altura (relevo), a forma, o tamanho, os símbolos especiais e a cor. Quanto às técnicas voltadas para a produção de mapas táteis, podemos destacar o uso de tintas ou colas espaciais, a colagem de materiais, a produção de mapas em alumínio, a construção de mapas através de papel microcapsulado, acetato ou braillon e o uso de sistemas computacionais para representação tátil.

DAGEOP UERJ-FFP

Grupo de Pesquisa Dinâmicas Ambientais e Geoprocessamento. Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.


Email: dageop.uerj@gmail.com

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Pós Graduação em Geografia