• Vinicius Seabra

Mulheres Negras no Geoprocessamento: Uma Experiência Incrível e Muito Positiva

Mikaella Pereira dos Santos

Evelyn de Castro Porto Costa

Jéssica Gonçalves Oliveira da Silva

Paola Nogueira da Silva

Rayane Marques Rodrigues Lima


O curso de Introdução ao Geoprocessamento, criado no contexto da iniciativa “Mulheres Negras no Geoprocessamento” foi uma proposta do Grupo de Pesquisa Dinâmicas Ambientais e Geoprocessamento - DAGEOP, com o objetivo de contribuir com a democratização de conhecimentos na área de geotecnologias, criando uma turma de mulheres negras de diferentes lugares do Brasil, interessadas em aprender Geoprocessamento.

Essa iniciativa partiu de alunas do próprio grupo de pesquisa, que refletiam e observavam que nessa área do conhecimento há uma grande disparidade de gênero, sendo agravada quando analisada a quantidade de mulheres negras atuando em Geoprocessamento.


Sabendo que as oportunidades da difusão de conhecimento científico precisam alcançar cada vez mais pessoas e romper com muitas barreiras, como as do preconceito racial e de gênero, foi compartilhado a ideia com outras mulheres do Grupo de Pesquisa que trabalham junto ao professor Vinicius Seabra (UERJ-FFP), que impulsionou a ideia e tornou possível a realização dessa iniciativa, juntamente com a Ana Beatriz da Silva, doutoranda em Geografia (UFF).

A elaboração do curso se deu a partir de uma ementa participativa, onde foram aplicados questionários e foram discutidas de forma democrática as principais demanda dessas mulheres no geoprocessamento, sendo essa uma forma de tornar ainda mais atrativo os conteúdos do curso.

O curso foi ministrado de maneira introdutória, trazendo as noções básicas do Geoprocessamento e das Geotecnologias, através de aulas teóricas e práticas, fazendo uso de softwares e aplicativos gratuitos, tais como Google Earth, Quantum GIS e GPS Essentials.

É importante ressaltar que por se tratar de um curso realizado de forma on-line, a iniciativa alcançou mulheres negras de diferentes estados do Brasil, tendo sua representação através do mapa de distribuição espacial das alunas inscritas (figura 1).

Como é representado no mapa, o maior quantitativo de alunas está alocado no Sudeste, mais precisamente no Estado do Rio de Janeiro e São Paulo, entretanto, também houve grande adesão de alunas das regiões Nordeste, Norte e Sul do país, demonstrando o potencial de alcance das plataformas on-line para democratização do ensino.

Essa foi uma importante possibilidade de integração de diferentes realidades no país, sendo possível conhecer mulheres com distintas áreas de pesquisas, oportunizando a agregação de conhecimento entre diversas universidades e pesquisas, tendo o geoprocessamento como ferramenta de uso em comum.

É importante destacar que o perfil das alunas do curso foi predominantemente de mulheres negras da área da geografia, sendo elas professoras, graduandas, pós graduandas e pesquisadoras nesse campo científico. Vejamos a seguir, as instituições representadas por estas alunas:


IFCE - Instituto Federal de Educação

UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

UFF - Universidade Federal Fluminense

USP - Universidade de São Paulo

UEP - Universidade Estadual Paulista

UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina

UFG - Universidade Federal de Goiás

UFESCar - Universidade Federal de São Carlos

IF BAIANO

UFRRJ - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

UFSJDR - Universidade Federal de São João del Rei

UFB - Universidade Federal da Bahia

UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais

CEDENPA - Centro de Estudos e Defesa do Negro - Pará

INSTITUTO BUTANTAN

UNESP - Universidade Estadual de Paulista

AYO CARTOGRAFIAS

UFVIÇOSA - Universidade Federal de Viçosa

UFPB - Universidade Federal da Paraíba

UFRRJ - Campos Nova Iguaçu

UERJ - FFP


As alunas relataram uma grande dificuldade de acesso ao Geoprocessamento durante o seu percurso acadêmico. Portanto, para muitas, o curso foi uma maneira de resgatarem e reforçarem um pouco dessa disciplina que muitas das vezes não está presente nas grades curriculares antigas, ou que é atualmente oferecida de maneira pouco didática e prática na graduação.

No questionário de matrícula do curso, 33%, das 36 alunas, afirmaram que não tiveram Geoprocessamento em sua graduação. 81% do total de alunas afirmaram nunca terem atuado na área de Geoprocessamento e ainda, 56% destas mulheres veem como baixíssima a presença de mulheres negras atuando de forma profissional na área.

Nesta pesquisa, anterior a realização do curso, 86% das mulheres negras afirmaram que iniciativas como estas são importantes para a democratização do Geoprocessamento. Ou seja, o curso foi visto como uma forma de inserção dessas mulheres na área das geotecnologias, trazendo mais confiança para a realização de suas pesquisas.

Dentre as necessidades das alunas, as principais estão associadas ao uso de ferramentas geotecnológicas no ensino de geografia e em pesquisas na área da geografia física e humana.


SOBRE A AVALIAÇÃO DO CURSO



A avaliação do final do curso contou com a participação de 15 das alunas participantes da iniciativa. Em todas as respostas tivemos uma a avaliação final bem positiva. Vamos a seguir destacar 10 pontos desta avaliação que julgamos muito importantes:


1. Em relação a proporcionalidade entre as aulas teóricas e práticas, 87% das pesquisadas pontuaram como muito equilibrada, e 13% como bem equilibrada. Com isso podemos afirmar que o dimensionamento entre teoria e prática foram considerados bem coerentes.

2. Em relação aos tutoriais e material de apoio, todas as alunas que responderam ao questionário afirmaram que foram muito uteis para o aprendizado. Isso nos dá a certeza de que no futuro, em cursos presenciais ou à distância, a construção de materiais e tutoriais básicos são fundamentais.

3. 93% das alunas disseram que o curso despertou muito interesse em conhecer outros recursos geotecnológicos que não foram apresentados no curso.

4. 80% das alunas afirmaram que o curso as fez superar, em muito, o medo que elas tinham do Geoprocessamento. Nenhuma delas afirmou que hoje, este medo existe com existia anteriormente.

5. 87% das pesquisadas afirmaram que o curso foi muito benéfico para suas atividades como professora ou pesquisadora.

6. 93% das alunas do curso afirmaram que a participação das monitoras foi um importante diferencial para a realização do curso.

7. Quando indagadas se o curso teria sido melhor se fosse presencial, 73% afirmaram que sim, 13% acham que seria indiferente e 14% acham que não teríamos um curso melhor caso ele fosse presencial. Este resultado mostra a importância da realização de cursos de formação como estes, em formato presencial, e em diferentes localidades do Brasil.

8. Outra questão importante está relacionada à ementa participativa. Todas afirmaram que ela foi muito importante para a boa realização do curso, sendo que 73% das alunas afirmaram que esta estratégia foi muito importante.

9. 93% das alunas afirmaram que estar no curso junto à outras mulheres negras foi mais motivador, e as ajudou no curso.

10. Apenas uma aluna afirmou que o cronograma do curso não foi suficiente para o aprendizado dos temas que foram propostos.


A seguir, alguns depoimentos de alunas que realizaram o curso de “Introdução ao Geoprocessamento”, da iniciativa “Mulheres Negras no Geoprocessamento”:


  • “Foi maravilhoso participar do curso, me fez desmistificar a complexidade do que é o Geoprocessamento. Gostaria que futuramente possamos ter um curso para aprofundarmos.”

  • “Minha experiência foi maravilhosa, me abriu diversas possibilidades e ferramentas de análise cartográfica e facilitou minha apreensão da complexa tecnologia do geoprocessamento, fazendo acessível através da simplificada didática e acompanhamento. Muito grata”.

  • “"Eu gostei muito do curso, já havia feito geoprocessamento como disciplina na graduação mas como é algo que precisamos estar em contanto constante, acabei esquecendo algumas coisas. No mais, gostei bastante e gostaria que houvesse outro módulo do curso o quanto antes. Muito obrigada pela experiência. Forte abraço.”

  • "A iniciativa, a equipe, o curso foi tudo maravilhoso. Acho que meu desenvolvimento seria melhor em um curso presencial, mas como estamos na pandemia não teve jeito, mesmo assim foi maravilhoso poder participar e o que foi importante foi a abrangência sendo remoto porque pessoas de diversas partes tiveram a possibilidade de participar. Super grata! Até o próximo curso e espero poder entrar em contato com vocês quando precisar. Grande beijo!"

  • "Amei demais o curso!!! Ansiosa para continuidade..."

  • "A iniciativa ultrapassa o aprendizado do Geoprocessamento e alcança as subjetividades relacionadas às ações afirmativas. Abriu-me ainda para a coragem de mexer no Qgis, pois eu achava que nunca conseguiria. Obrigada ao grupo e a iniciativa maravilhosa."

  • "Foi fundamental o cuidado das tutoras com as trocas de mensagens pelo e-mail e ali no chat durante a aula. Negativa, apenas o fato de não termos gravado. Amei conhecer geógrafas negras desse país!!! Por favor, pensem na gente, na possibilidade de termos mais uma versão/continuidade desse curso. Prof Vinícius, você é atencioso, cuidadoso, tem uma prática pedagógica afetuosa e didática. Muuuuuito obrigada por me ajudar a superar meus medos!!! Gratidão."

  • "Parabenizar pela iniciativa, pelo trabalho de qualidade que foi oferecido. A didática empregada me permitiu avançar e encorajou-me a seguir nas pesquisas usando a tecnologia aprendida. Deixo meu agradecimento e cumprimentos."

  • "Eu já tenho noção de Qgis e Google Earth, sou bolsista e trabalho com esses programas. Confesso que quase tudo que foi passado no curso eu ja tinha conhecimento, o que eu achei muito legal foi o app GPS Essentials, não sabia da existência dele e achei bem interessante. Sei bem e pude ver no curso que muitas geógrafas não tem facilidade com essas ferramentas/ com o geoprocessamento, foi lindo de ver o prof e as monitoras com toda paciência do mundo e tudo a distância, tentando explicar cada passo para nós. Espero que o curso continue e que mais mulheres negras possam ter acesso a ele, perdendo esse medo do geoprocessamento, que sabemos que só acontece através de prática."

  • "A experiência com o curso foi positiva, principalmente com o suporte via tutoriais e as aulas práticas. Já fazia mapas, mas o curso me apresentou diversos recursos e ferramentas que não conhecia ou não sabia usar, o que me deixou mais segura e confortável para continuar aprendendo e trabalhando com o Geoprocessamento."

  • "Eu já obtinha alguns conhecimentos básicos em Geoprocessamento, o curso foi muito importante para entender aplicações, mas principalmente para ver outras mulheres negras nessa busca e me sentir pertencente."

  • "Por mais que tenha experiência na questão tecnológica tive dificuldades em alguns momentos como, na colocação das camadas no projeto. Isso é só um exemplo. Mas foi positivo, um início de concretização de um interesse antigo pelo geoprocessamento."

  • "Gente, foi tudo ótimo viu... Sinceramente. Obrigada ao professor e as monitoras. Vocês são muito especiais. Só queria que tivéssemos mais encontros kkkkkkkkkkkkkkkkk"

  • "Gostaria de agradecer imensamente todo o empenho de vocês no curso. Foi uma experiência incrível e muito positiva. Parabéns pela iniciativa!"

  • "Este curso voltado só para mulheres negras foi essencial para que eu ficasse a vontade em perguntar, em tirar dúvidas, em me expor. Então me ajudou a superar o medo ou o vulto negativo que tinha do geoprocessamento por estarmos entre iguais, estarmos com pessoas/professor/monitoras com uma escuta atenciosa e que estimulava a gente a todo momento. A ideia de ter os tutoriais disponibilizados no site foi sensacional, me ajudou e tem ainda tem ajudado. Depois de aprender a como manusear o Google Earth e um pouco do Arcqgis acho que conseguirei mapear alguma coisa... rs. Essa última aula com o GPS Essentials foi interessante para pensar novas possibilidades de estudo, ainda estou digerindo tudo. Ainda estamos nos adaptando ao mundo do Ensino a Distância, então tiveram momentos em que ficava perdida e com medo de atrapalhar o bom andamento da aula, mas os tutoriais ajudaram depois a correr atrás do prejuízo!" "A equipe é maravilhosa! Parabéns e VIVA FFP! Sucesso pra vcs e fico ansiosa para o curso intermediário! rs"

O curso só foi possível graças a participação voluntária, como monitoras e conteudistas, das alunas: Mikaella Pereira dos Santos; Beatriz Costa de Jesus; Evelyn de Castro Porto Costa; Jessica Gonçalves Oliveira da Silva; Nicolle Nunes Santos; Paola Nogueira da Silva; Rayane Marques Rodrigues Lima; Tatiane Louvis de Rezende; Nathália Ferreira dos Santos Costa.


Agradecemos também a participação de Luana Santos do Rosário (INEA) e Elisabete Cardoso Ferreira (FIRJAN /CENPES) em nossa mesa temática realizada no segundo dia de curso! obrigada!


Meninas, parafraseando uma de vocês, obrigado pela "experiência incrível e muito positiva". O DAGEOP amou esta iniciativa!


Para visitar o site do curso acesse: https://www.dageop.com.br/mng

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